MARIANA PALMA: LUMINA


location Rua Coropé, 88 | INSTITUTO TOMIE OHTAKE | 18 FEVEREIRO | 20H

Mariana Palma: LUMINA

Em 2011 o Instituto Tomie Ohtake realizou a coletiva “Os 10 Primeiros Anos”, com artistas cujas trajetórias notabilizaram-se a partir do ano 2000. A mostra com curadoria de Agnaldo Faria e Thiago Mesquita pretendia apontar recorrências, sintomas e inquietudes comuns aos artistas de destaque no panorama contemporâneo emergente à época. Entre os cerca de 50 participantes, estava a paulistana Mariana Palma (São Paulo, 1979), que retorna agora ao espaço com a exposição Lumina, sua primeira individual em uma instituição cultural na capital paulista.

A mostra retrospectiva, com curadoria de Priscyla Gomes, do Núcleo de Pesquisa e Curadora do Instituto Tomie Ohtake, reúne cerca de 50 trabalhos que repassam os quase vinte anos de carreira da artista, fundamentada, sobretudo, na pintura e no desenho. Segundo a curadora, o conjunto de obras demonstra a recorrência com que a artista se refere à ideia de integração de partes e de superfícies que se tocam e atritam dando forma a um novo corpo.

Articulando composições ricas em texturas – tecidos estampados, plantas, padrões arquitetônicos, peles e ornamentos – quase sempre com cores intensas, a obra de Palma provoca a ilusão de sensações táteis, seduzindo o olho do espectador. Segundo a curadora, Lumina, que dá nome à mostra, se refere o mito de Orfeu, sintetizado no instante em que ele fica cara a cara com Eurídice e a luz dos seus olhos emite um raio em sua direção. (Orfeu foi buscar a amada no mundo dos mortos e conseguiu libertá-la com a promessa de não olhar para trás, mas sucumbiu).

Na exposição, como uma série de atos, tal qual uma ópera adaptada, o visitante percorre diversos momentos do trabalho de Palma. “Explorando elementos provenientes da botânica, de estampas, organismos marítimos e fragmentos arquitetônicos, Palma aborda a interpenetração de corpos, destaca alternâncias entre instantes de tensão e expansão, e compõe infindáveis universos frutos da exploração de luz e sombra”, pondera Gomes.

No primeiro ato que abre o percurso pelo espaço expositivo, uma série de aquarelas, pinturas e fotografias corrobora com a mitologia dos amantes. Para a curadora, o encontro que associa o clímax de uma possível fusão de corpos à desagregação inevitável do destino, é materializado por uma instalação em que frutos de palmeiras, tal qual duas cascatas, vertem-se em uma bandeja de líquido viscoso. “Palma constrói por intermédio do jorro das plantas uma metáfora pujante do possível encontro desses corpos fatidicamente cindidos”.

Os demais atos buscam explorar a atmosfera da busca de Orfeu por Eurídice, destaca a curadora. Obscuridade e renascimento são fios condutores da aproximação dos trabalhos. Segundo Gomes, esses dois polos explorados são determinantes à compreensão da multiplicidade do léxico da artista. “Embora a profusão de elementos, aliada à intensidade do uso da cor, salte aos olhos no primeiro fitar das obras de Palma, a sutileza e rigor com que a artista articula cada camada sucessiva de tinta desvela um processo lento e meticuloso somente evidente quando nos debruçamos sobre a superfície planar de suas pinturas”, conclui.

Location

Rua Coropé, 88

Rua Coropé, 88 - Pinheiros, São Paulo - SP, 05426-010, Brasil

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