RSVP Toulouse-Lautrec em vermelho | Miguel Rio Branco: nada levarei qundo morrer | Tracey Moffatt: Montagens


location Av. Paulista, 1578 | MASP _ Dia 29 de junho | 20h às 22h (entrada até as 21h30)

Toulouse-Lautrec em vermelho

O MASP apresenta “Toulouse-Lautrec em vermelho”, a maior exposição dedicada à obra do francês Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) já realizada no Brasil. Em torno do tema da sexualidade, a mostra conta com 75 obras, entre pinturas, cartazes e gravuras, que estão entre as mais emblemáticas do artista. Das onze obras de Toulouse-Lautrec da coleção do MASP, a maior e mais importante em um museu da América Latina, 9 estarão expostas; as demais serão empréstimos de alguns dos principais museus e coleções particulares do mundo, tais como Musée d’Orsay, de Paris; Tate, de Londres; The Art Institute of Chicago; National Gallery of Art, de Washington; Museo Thyssen-Bornemisza, de Madrid; e Rijksmuseum, de Amsterdã.

Toulouse-Lautrec foi um dos artistas centrais da Paris do final do século 19, ao capturar a efervescência noturna da capital que despertava para a modernidade, quando suas ruas foram iluminadas a gás e as mais diversas figuras passaram a se encontrar nos espaços públicos, entre burgueses, boêmios, prostitutas, dançarinos e artistas. Inteiramente concebida e organizada pelo MASP, Toulouse-Lautrec em vermelho traz cenas de apresentações em cabarés, danças em bares, bailes de máscaras, retratos de figuras da sociedade e do célebre bairro Montmartre, que lhe renderam a fama ainda em vida. A exposição traz também cenas interiores das maisons closes, como eram chamados os bordéis da época, com suas trabalhadoras em momentos de descanso e intimidade, em seus afazeres cotidianos.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Luciano Migliaccio, curador adjunto de arte europeia e assistência de Mariana Leme, “Toulouse-Lautrec em vermelho” dialoga de maneira próxima com outras duas exposições que também abrem no mesmo dia, em um eixo pautado por representações da prostituição. Uma delas reúne fotografias de Miguel Rio Branco feitas em torno da prostituição no bairro do Pelourinho, em Salvador, em 1979; a outra exibe três vídeos de Tracey Moffatt — Lip, Other e Love —, feitos a partir de colagens de cenas de vídeo do cinema de Hollywood do século 20. Essas três mostras, por sua vez, estão em diálogo com outras monográficas: de Teresinha Soares e Wanda Pimentel, atualmente em exibição no 2º subsolo e mezanino do 1º subsolo, respectivamente; e, no segundo semestre, de Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo (1874-1955) e de Tunga (1952-2016). Todas essas exposições voltam-se para a mostra coletiva “Histórias da sexualidade”, que também reúne obras de diferentes períodos, territórios, meios, e com núcleos dedicados à prostituição, ao nu, ao homoerotismo, aos jogos sexuais, ao ativismo feminista e queer, entre outros.

Miguel Rio Branco: nada levarei qundo morrer

O MASP apresenta, a partir de 29 de junho, Miguel Rio Branco: nada levarei qundo morrer, segunda exposição de Miguel Rio Branco (Las Palmas, Espanha, 1946) no Museu, quase 40 anos após sua primeira individual, Negativo Sujo, em 1978. Até 1 de outubro, a mostra exibe uma seleção de 61 fotografias da famosa série Maciel, realizada no bairro homônimo, na região do Pelourinho, em Salvador, que o artista frequentou durante seis meses, em 1979.

O título da mostra origina-se da sentença “Nada levarei qundo morrer, aqueles que mim deve cobrarei no inferno”, que ocupa o centro da composição de uma das obras. Escrita em vermelho, a frase contém lapsos de português e está em uma parede interna, amarelada e desgastada, e cuja palavra inferno quase desaparece em meio a manchas escuras. Essa é a fotografia que abre a mostra e dá o tom da seleção dos demais trabalhos expostos na sala: são cenas de ambientes públicos e privados, como prostíbulos, bares, calçadas e quartos, de personagens que vivem e convivem em uma área estigmatizada e marginalizada pela prostituição, pobreza e criminalidade.

Na sequência, o visitante encontra imagens externas, de fachadas de casas e estabelecimentos comerciais, com paredes gastas pelo tempo, mas saturadas de cor, efeito que Rio Branco atinge ao fotografar em diapositivos. Nas calçadas, os moradores parecem seguir sua rotina, por vezes alheios à câmera do fotógrafo. Em uma imagem, crianças brincam na rua; em outras, homens jogam capoeira ou conversam entre si; e, em inúmeras, mulheres posam sozinhas, como se aguardassem supostos clientes. As marcas de ruína e sujeira, no entanto, são indícios não só do abandono, mas também da resistência daquelas pessoas a permanecerem no local.

A sexualidade permeia as imagens ao longo de toda a mostra. É a partir da segunda parte, todavia, quando os cenários passam a ser os interiores de casas e prostíbulos, que o sexo se torna mais evidente, carnal e, por vezes, agressivo. Veem-se cenas com enquadramentos mais fechados, preenchidos por cicatrizes, partes de corpos nus e rostos que ora fitam a lente, ora se regozijam de prazer. Em planos mais abertos, mulheres nuas se oferecem ao espectador, muitas vezes posando em pé, perto de portas e corredores, ou em cima das camas, em quartos.

Segundo Tomás Toledo, curador assistente da mostra, “As imagens produzidas por Miguel Rio Branco no Maciel denunciam a realidade da região – exuberante e violenta – retratando essa sociedade em determinado período histórico. Mas elas estão longe de ser um registro meramente documental; são carregadas de dramaticidade, encenação, cores imperativas e contrastantes, permeadas por uma pele pictórica. Revelam as trocas que ocorreram entre o fotógrafo e os fotografados, expressadas na franqueza do olhar e na naturalidade dos corpos dos representados.”

Ao longo de toda a mostra, existe um embaralhamento entre os limites do público e do privado. O espaço coletivo da rua invade residências, prostíbulos e estabelecimentos comerciais, e vice-versa. Homens e mulheres entram e saem desses ambientes, em composições que confundem as noções de intimidade e coletividade. Miguel Rio Branco: nada levarei qundo morrer, deixa evidente, assim, algumas das muitas expressões da sexualidade daquela comunidade, denunciando, a partir dela, marcas das desigualdades social e racial que sofrem populações marginalizadas no Brasil.

No dia da abertura, o MASP lança o catálogo da mostra (208pp., R$129), amplamente ilustrado, com textos dos curadores e organizadores da publicação – Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura e Tomás Toledo – e de autores convidados – Alexandre Melo, Antonio Risério, Luisa Duarte e Moacir dos Anjos.

Miguel Rio Branco: nada levarei qundo morrer tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, Rodrigo Moura, curador-adjunto de arte brasileira, e assistência de Tomás Toledo, curador. A expografia é da METRO Arquitetos Associados.

Tracey Moffatt: montagens

Tracey Moffatt: Montagens, ocupa a sala de vídeo do 2º subsolo do Museu com três vídeos da série Montages “Montagens” (1999-2015), LIP “Atrevimento” (1999), LOVE “Amor” (2003) e OTHER “Outro” (2009).

A australiana Tracey Moffatt (Brisbane, 1960) realizou a série Montages ao longo de uma década, de 1999 a 2015, com a colaboração do editor Gary Hillberg. A série compreende um total de oito vídeos, que criam novas narrativas a partir de cenas de filmes comerciais, muitos hollywoodianos, mas também clássicos do cinema mundial. Nos três vídeos exibidos no MASP, Moffatt lida com estereótipos e personagens arquetípicos do inconsciente coletivo ocidental, tratando de questões de raça, gênero e alteridade.

LIP apresenta trechos de filmes em que atrizes negras, aborígenes e latinas interpretam papéis de empregadas domésticas, serventes e babás, realizam seus afazeres e interagem com suas “patroas”, geralmente representadas por atrizes caucasianas. Ao som de Chain of Fools e Think, de Aretha Franklin, as trabalhadoras desafiam suas chefes por meio de falas sem restrições, que revelam verdades, sem “papas na língua”. Desses atos, que podem ser interpretados como “atrevimento” pelas empregadoras, deriva o título do vídeo, LIP. A palavra é uma redução da expressão inglesa giving lip, que se refere a atos de insubordinação, nos quais uma pessoa em situação subordinada dirige comentários jocosos e “atrevidos” a um superior. A obra questiona os papéis, frequentemente relegados às mulheres negras, mas também latinas e indígenas, pelo cinema e propõe uma desconstrução de um pensamento colonial, de que este grupo possa, de alguma forma, ser tratado como subserviente.

LOVE é uma compilação de trechos em que um homem e uma mulher interagem entre si, geralmente, em situações de envolvimento afetivo ou sexual. Ao som de (Where Do I Begin?) Love Story, interpretada por Shirley Bassey, o amor romântico é representado por cenas de beijos, carinhos e trocas de olhares apaixonados. A música é então interrompida e as mulheres passam a ser retratadas como desequilibradas e são tratadas como sujeito das causas do fim do amor e do relacionamento. Dá-se uma sequência de cenas em que mulheres são acusadas de traições, de não serem capazes de preencherem papéis de esposas, mães, amantes e donas de casa, e por isso sofrem inúmeras agressões, sendo agarradas pelo braço, empurradas, rejeitadas, humilhadas e abandonas. A partir da metade do vídeo, as personagens reagem e assumem posições ativas: verbalizam suas insatisfações, revidam, lutam, batem, ameaçam, apontam armas de fogo em direção aos homens e, finalmente, atiram. Moffatt apoia-se na ideia do amor como um campo de batalha, atravessado por relações de poder baseadas em gênero e classe social.

Em OTHER, há uma aproximação de questões que tratam de colonialismo, alteridade e sexualidade. O filme é uma compilação de cenas em que há encontros com o outro, sejam esses pautados pela diferença étnica, social, racial ou sexual. A montagem inicia-se com momentos de reconhecimento visual do outro, identificado a partir de signos do vestuário, das marcas e traços corporais, da cor da pele, dos adereços e arranjos de cabelo. Há trocas de olhares e um fascínio estabelece-se entre as duas partes. Seguem-se, então, cenas de reconhecimento físico, em que ambos se tocam sutilmente até o contato transformar-se em abraço, beijos e no ato sexual em si. Moffatt finaliza a edição com imagens de explosões, que servem de metáfora para o clímax sexual e para desconstrução das diferenças que separavam as personagens.

Nos três vídeos exibidos, a sexualidade – eixo central da programação do MASP em 2017 – ganha novas camadas, mostrando que estas histórias também são atravessadas por narrativas coloniais, feministas e de gênero. Por sua vez, as outras duas mostras, Toulouse-Lautrec em vermelho e Miguel Rio Branco: nada levarei qundo morrer, estão em diálogo com as outras monográficas, de Teresinha Soares (Araxá, MG, 1927), Wanda Pimentel (Rio de Janeiro, RJ, 1943), Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo (1874-1955) e Tunga (1952-2016), que compõem a programação do MASP em 2017. Todas essas exposições voltam-se para a mostra coletiva Histórias da sexualidade, ela também reunindo obras de diferentes períodos, territórios, meios, que discutem questões relacionadas à prostituição, ao nu, ao homoerotismo, aos jogos sexuais, ao ativismo feminista e queer, entre outros.

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Av. Paulista, 1578

Av. Paulista, 1578 - Bela Vista, São Paulo - SP, 01310-200, Brazil

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